Aqui vai, como prometido, um post menos deprimente :)

Ora, sendo férias de Verão, decidi voltar a dedicar-me a alguns dos meus hobbies de antigamente... Eu costumava ser uma pessoa muito criativa, antigamente. Antigamente.

De qualquer modo, decidi voltar a ler livros, coisa que eu adorava fazer e parei do nada. Já não lia um livro há quase um ano. A não ser que considerem o "Memorial do Convento" um livro. Para mim, foi só um sacrifício. (a sério, que coisa mais intragável, mais valia darmos a lista telefónica)

Voltei a ler, e sendo forreta como sou, obviamente que não ia dar alguns 15€ por uma coisa que só dá verdadeiro prazer uma vez na vida. Como um gelado. Tirando que o gelado custa literalmente um décimo de um livro. Por isso, foi: 
"- Siga biblioteca municipal!"

E na biblioteca encontrei a Sveva Casati Modignani. Uma autora italiana que consegue expor de uma forma excepcional as dinâmicas das relações, amorosas e não só, tendo sempre como protagonistas mulheres fortes e vibrantes.
Conclusão: a não ser que sejam portadores de ovários, não vão achar piada aos livros. Se forem, vão identificar-se terrivelmente com eles, que mesmo retratando a vida de mulheres de meia-idade conseguem apelar à minha mísera experiência de vida de 17 anos. Têm bónus se forem também portadoras de um apêndice masculino (aka namorado/marido/amigo colorido).
Li estes três livros dela. Os das pontas são excelentes, recomendo vivamente que vão à biblioteca requisita-los, são super agradáveis de ler, com uma escrita leve, simples e escorreita. Fazem boa companhia, e acima de tudo, fazem-nos pensar sobre as ligações que criamos aos outros, sem nos maçar. Livros perfeitos para as férias. O do meio, "Qualquer coisa de bom" desiludiu-me. Não é um mau livro, mas é mais pequeno que os outros e isso nota-se: a história parece contada à pressa, inacabada - e por isso não escapa à insipidez. 

Tenho andado também a ler Joanne Harris, a autora do famoso "Chocolate" por influência da minha mãe que aqui há uns anos atrás devorou os livros dela. É um estilo completamente diferente: uma escrita bastante menos feminina e a apelar mais ao fantástico, à imaginação, à historia do que propriamente à vida real, não pretendendo que o leitor se identifique com as personagens, mas sim vá adivinhando as suas peripécias. Não são livros de fantasia, porém, são pautados por toques que conferem uma certa magia à narrativa. Mas a escrita continua a ser fácil de ler, que eu não suporto escritas com pretensões estilísticas estúpidas (i.e. Saramago). Comecei hoje a ler o Xeque ao Rei. Parece ser giro :) Os outros dois, foram, pelo menos.
Em suma, estou muito feliz por ter voltado a ler. É uma actividade relaxante, estimulante e que amplifica brutalmente a minha criatividade e imaginação. Ler um livro dá-me vontade de criar as minhas próprias histórias... E distrai-me das vicissitudes da vida quotidiana. Se não têm por hábito faze-lo, façam um favor a vós mesmos e tentem. Não perdem nada, e podem encontrar na leitura um vício enriquecedor.
 


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